por sinal um verdadeiro e fanático Coxa-Branca. Aconselho a todos que admiram
o futebol ler a fantástica coluna do Dalton. Abaixo vc lê uma sensacional matéria
escrita por ele : Bola Perdida. Outras mais fantásticas ainda você encontra no
blog do polaco, vale a pena ler torcedor ou não vale?
Toda sexta-feira tem Dalton.
Como começa agora o campeonato brasileiro, a coluna do Dalton passará das quartas para as sextas. Então vocês já sabem, todo mundo aqui, comentando, dando dicas, criticando, mas participando. Beco (Roberto Prado), Maringas, Torcedor, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan, Pai Véio Chico Fantasma, Office-boy idoso da esquerda, o Ser Difuso da direita serão os personagens fixos e prometem muita diversão. Acompanhem e torçam . Futebol é melhor do que nada.
Polaco da Barreirinha
Bola Perdida“Quem aplaude o que vê nos espelhos, plantaem que cairá de joelhos.”
Meus sapientíssimos leitores, a cada nova coluna, desço de minha torre de marfim e, quase em transe, escrevo-lhes, não como um jornalista, mas um sacerdote, pois faço-o como quem reza. Se, às vezes, a necessidade de me fazer entender me torna um tanto prolixo é porque sempre vou até o limite de minhas poucas forças e de minha tão breve sabedoria. Acho, sinceramente, que a plena consciência de nossas potencialidades nos leva à uma vida tranqüila, onde a felicidade e a harmonia além de conviver conosco ainda dão um colorido
Meus sapientíssimos leitores, a cada nova coluna, desço de minha torre de marfim e, quase em transe, escrevo-lhes, não como um jornalista, mas um sacerdote, pois faço-o como quem reza. Se, às vezes, a necessidade de me fazer entender me torna um tanto prolixo é porque sempre vou até o limite de minhas poucas forças e de minha tão breve sabedoria. Acho, sinceramente, que a plena consciência de nossas potencialidades nos leva à uma vida tranqüila, onde a felicidade e a harmonia além de conviver conosco ainda dão um colorido
muito especial ao mundo.
- Sermão pra cima de nós agora é, ô boca de burro? Zurra-me a figura esquiva e decadente que trabalha ao meu lado aqui na redação. Senta-se à minha direita e tem a péssima mania de citar o que escrevo como se de sua lavra fosse.
- Só matando esse praga do demônio. O cara pensa que é o bonzão das letras. Vai pregar no deserto, merda seca de micróbio! Desafora-me, mugindo em alto e bom tom, o envelhecido office-boy á minha esquerda, deslumbrado diante do espelho com a erupção de suas vulcânicas espinhas.
Imaginem, meus cépticos leitores, ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto misturado ao suor destes dois sádicos piadistas de plantão, incomodando mais que mosca de cavalo. Em vez do apoio e da mão amiga, você leva na cara chiste, pilhéria, escárnio, cuspe e respingos de espinhas explodidas, a torto e direito.
Os dois abraçados riem diante de minha impassibilidade às suas piadinhas e de braços dados vão fumar lá fora. Sabem de uma coisa, meus esclarecidíssimos leitores, esta redação se não for a ante-sala de um hospício terminal é, com certeza, uma estação para o inferno. Explico melhor: é uma sala enorme, a atmosfera difusa, onírica, inexata. Os seres disformes que se movimentam pra lá e pra cá dentro dela são estranhos, demasiadamente estranhos. Em quase todos há um olhar amanhecido, expressões faciais quase irreais, pernas que parecem não ter destino, quase aladas. Passam uns pelos outros e acontecem diálogos diáfanos, inefáveis, como se o tempo e o espaço fossem abstrações de um deus brincalhão e perverso. Mas isso não tem importância. O que eu quero mesmo dizer, e digo-o agora, meus pacientíssimos leitores, é que, para mim, escrever nestes últimos 50 anos tem sido minha mais querida e reveladora ocupação. Não há nada neste mundo que me dê mais prazer do que me sentar ao computador e começar inventar frases, poemas, crônicas, besteiróis ou simplesmente divagar com o andor. Minto, não é verdade e, portanto, me corrijo. Ler também tem sido um prazer inenarrável. Nada como ter um bom livro nas mãos e entrar no mundo de Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan, Machado de Assis, Júlio Cortázar, Paulo Leminski, Marcos Prado, Helena Kolody, Fábio Campanha, Wilson Bueno, Ernani Buchmannn, Alexandre França, Roberto Prado, Alice Ruiz, Fernando Koproski, Luís Felipe Leprevost, enfim, essa cambada que não tem o que fazer além de incomodar nossas alminhas penadas com suas transgressões. São gênios, ou melhor, artistas. E arte, meus deslumbradíssimos leitores, vocês sabem, é maior que o tempo.
]
- Lá vem você de novo com essa conversa mole. Será possível que você não aprende, ô animal de teta. Será que não dá só pra fazer uma matéria sobre futebol e o início do campeonato brasileiro, contando o que está acontecendo com os nossos times? Tem dó, né, cara! Provoca-me o que está sentando à direita, ao mesmo tempo, que solta a última baforada na minha cara.
- Deixa ele. Deixa o coitado com suas ilusões, deixa. Você não vê que o Dalton se esconde atrás dos livros? O tempo todo com essa pose de traça de biblioteca, como se estivesse acima do bem, do mal e de nós? Sabe o que você é, Dalton? Um chato, daqueles que a gente tem de usar uma espátula pra se livrar e levar pra outro lugar, de preferência, bem longe. Espeta-me, o ser disforme, úmido e pegajoso, que se prepara para sentar à minha esquerda. Mas isso não tem importância.
O assunto de hoje, meus atualizadíssimos leitores, é o Campeonato Brasileiro. Coritiba, Atlético e Paraná têm, a meu ver, missões complicadíssimas pela frente. O primeiro porque em 2009 fará 100 anos e quer o título ou, pelo menos , ficar entre os que vão disputar a Libertadores da América; o segundo, faz coro com o coxa em suas pretensões; o terceiro, disputa a combativa série B, mas quer ser A, já no ano que vem. Vamos pensar juntos, meus analíticos leitores, querer é poder? A experiência nos ensina que às vezes sim, às vezes não. Portanto, não dá pra contar com o ovo só porque a galinha sentou no ninho. Mas porém contudo todavia, técnicos têm os três. Dorival Jr., Ney Franco e Paulo Bonamigo são excelentes estrategistas e têm tudo para armar três times extremamente competitivos., não tenho a menor dúvida. Mas isso não tem importância. O que eu quero mesmo dizer a vocês, meus futebolísticos leitores, é que Coritiba e Paraná se reforçaram melhor para a façanha que pretendem realizar. Trouxeram bons reforços apesar de não tão conhecidos na mídia. Já o Atlético, como sempre faz, trouxe de penca lá do Vitória da Bahia, se não me engano sete jovens jogadores. Errei, seis promessas, mas com pouquíssima ou quase nenhuma experiência. Por isso mesmo, a torcida já começa a se movimentar e cobrar. Não querem esperar para ver. Segunda-feira todos saberemos o que espera cada torcida. Mas, vamos em frente.
O Torcedor esteve lá em casa ontem para me entregar a mensagem mediúnica que o Machado de Assis deixou para mim no terreiro do Pai Véio Chico Fantasma. É o único cara no mundo que não torce pra nenhum time, só para o futebol arte. O desgracido não perde um jogo e já foi internado com infarto umas 3 ou 4 vezes ao ver maltratarem a bola. Quando pôs o pé na sala, estava mais expectativo do que noiva quando está prestes a levar uma rola na pomba.
- Leia logo! Berrou, tentando arrancar o envelope das minhas mãos.
- Calminha aí, tio. Não se pressa um banquete à luz de velas. Sou um gourmet das delícias do Machado.
- Você é foda, sobrinho. Não sei onde meu irmão estava com a cabeça quando fez você. Aliás, uma delas eu tenho certeza de onde estava.
- Uau! Saca só. “Dalton, não dá pra tapar o sol do sofrimento com a peneira da felicidade. Extraí esta frase do livro de Tao, especialmente para você e sua matéria. Com carinho. Assinado Machado de Assis.”
- Não entendi nada. O Torcedor falou e me olhou como se não me visse.
- Tio, o que o Machado quis transmitir é mais ou menos o que aconteceu com o Flamengo na quarta-feira no mesmo Maracanã onde foi campeão no domingo vencendo o Botafogo por 2x1. Veja só, tio, depois de ganhar de 4x2 do América, lá no México levou uma traulitrada de 3x0 e saiu pela porta dos fundos da Libertadores. Entendeu?
O meu tio Torcedor saiu sem responder e ainda bateu a porta bem na minha fuça. Fico a pensar com meus botões de futebol de mesa: o Machado está certo, certíssimo! Sirvo-me de uma taça de licor de ovos e de uma broinha de fubá mimoso e abro meus e-mails tentando encontrar algum recado do Maringas. Que bom!, era o primeiro da caixa de mensagens. Quase me afogando com um naco da broinha, dou duas belas talagadas pra me aliviar. Abro a mensagem e custo a acreditar no que vejo. Uma foto do próprio na fila de ingressos para o jogo com o Palmeiras. Nela, o Maringas está ao centro, próximo à porta da barraca com uma faixa de campeão no peito, uma garrafa de Jack Daniels à mão esquerda e com a outra jogando confetes e serpentinas. Colado na barraca, um cartaz em letras garrafais: “ESTAMOS FESTEJANDO HÁ 4 DIAS SEM ACIDENTES. NOSSO RECORDE É DE 28 DIAS EM 1985.” Mas isso não tem importância. O que eu não posso deixar de comentar é o fato de ter encontrado o Trevisan, o nosso doce vampiro, na Livraria do Chain, na segunda-feira passada , no finzinho da tarde. Depois de me contar alguns detalhes de seu próximo livro, ele me perguntou:
- Dalton, lembra daquela noite em Copacabana,
- Sermão pra cima de nós agora é, ô boca de burro? Zurra-me a figura esquiva e decadente que trabalha ao meu lado aqui na redação. Senta-se à minha direita e tem a péssima mania de citar o que escrevo como se de sua lavra fosse.
- Só matando esse praga do demônio. O cara pensa que é o bonzão das letras. Vai pregar no deserto, merda seca de micróbio! Desafora-me, mugindo em alto e bom tom, o envelhecido office-boy á minha esquerda, deslumbrado diante do espelho com a erupção de suas vulcânicas espinhas.
Imaginem, meus cépticos leitores, ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto misturado ao suor destes dois sádicos piadistas de plantão, incomodando mais que mosca de cavalo. Em vez do apoio e da mão amiga, você leva na cara chiste, pilhéria, escárnio, cuspe e respingos de espinhas explodidas, a torto e direito.
Os dois abraçados riem diante de minha impassibilidade às suas piadinhas e de braços dados vão fumar lá fora. Sabem de uma coisa, meus esclarecidíssimos leitores, esta redação se não for a ante-sala de um hospício terminal é, com certeza, uma estação para o inferno. Explico melhor: é uma sala enorme, a atmosfera difusa, onírica, inexata. Os seres disformes que se movimentam pra lá e pra cá dentro dela são estranhos, demasiadamente estranhos. Em quase todos há um olhar amanhecido, expressões faciais quase irreais, pernas que parecem não ter destino, quase aladas. Passam uns pelos outros e acontecem diálogos diáfanos, inefáveis, como se o tempo e o espaço fossem abstrações de um deus brincalhão e perverso. Mas isso não tem importância. O que eu quero mesmo dizer, e digo-o agora, meus pacientíssimos leitores, é que, para mim, escrever nestes últimos 50 anos tem sido minha mais querida e reveladora ocupação. Não há nada neste mundo que me dê mais prazer do que me sentar ao computador e começar inventar frases, poemas, crônicas, besteiróis ou simplesmente divagar com o andor. Minto, não é verdade e, portanto, me corrijo. Ler também tem sido um prazer inenarrável. Nada como ter um bom livro nas mãos e entrar no mundo de Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan, Machado de Assis, Júlio Cortázar, Paulo Leminski, Marcos Prado, Helena Kolody, Fábio Campanha, Wilson Bueno, Ernani Buchmannn, Alexandre França, Roberto Prado, Alice Ruiz, Fernando Koproski, Luís Felipe Leprevost, enfim, essa cambada que não tem o que fazer além de incomodar nossas alminhas penadas com suas transgressões. São gênios, ou melhor, artistas. E arte, meus deslumbradíssimos leitores, vocês sabem, é maior que o tempo.
]
- Lá vem você de novo com essa conversa mole. Será possível que você não aprende, ô animal de teta. Será que não dá só pra fazer uma matéria sobre futebol e o início do campeonato brasileiro, contando o que está acontecendo com os nossos times? Tem dó, né, cara! Provoca-me o que está sentando à direita, ao mesmo tempo, que solta a última baforada na minha cara.
- Deixa ele. Deixa o coitado com suas ilusões, deixa. Você não vê que o Dalton se esconde atrás dos livros? O tempo todo com essa pose de traça de biblioteca, como se estivesse acima do bem, do mal e de nós? Sabe o que você é, Dalton? Um chato, daqueles que a gente tem de usar uma espátula pra se livrar e levar pra outro lugar, de preferência, bem longe. Espeta-me, o ser disforme, úmido e pegajoso, que se prepara para sentar à minha esquerda. Mas isso não tem importância.
O assunto de hoje, meus atualizadíssimos leitores, é o Campeonato Brasileiro. Coritiba, Atlético e Paraná têm, a meu ver, missões complicadíssimas pela frente. O primeiro porque em 2009 fará 100 anos e quer o título ou, pelo menos , ficar entre os que vão disputar a Libertadores da América; o segundo, faz coro com o coxa em suas pretensões; o terceiro, disputa a combativa série B, mas quer ser A, já no ano que vem. Vamos pensar juntos, meus analíticos leitores, querer é poder? A experiência nos ensina que às vezes sim, às vezes não. Portanto, não dá pra contar com o ovo só porque a galinha sentou no ninho. Mas porém contudo todavia, técnicos têm os três. Dorival Jr., Ney Franco e Paulo Bonamigo são excelentes estrategistas e têm tudo para armar três times extremamente competitivos., não tenho a menor dúvida. Mas isso não tem importância. O que eu quero mesmo dizer a vocês, meus futebolísticos leitores, é que Coritiba e Paraná se reforçaram melhor para a façanha que pretendem realizar. Trouxeram bons reforços apesar de não tão conhecidos na mídia. Já o Atlético, como sempre faz, trouxe de penca lá do Vitória da Bahia, se não me engano sete jovens jogadores. Errei, seis promessas, mas com pouquíssima ou quase nenhuma experiência. Por isso mesmo, a torcida já começa a se movimentar e cobrar. Não querem esperar para ver. Segunda-feira todos saberemos o que espera cada torcida. Mas, vamos em frente.
O Torcedor esteve lá em casa ontem para me entregar a mensagem mediúnica que o Machado de Assis deixou para mim no terreiro do Pai Véio Chico Fantasma. É o único cara no mundo que não torce pra nenhum time, só para o futebol arte. O desgracido não perde um jogo e já foi internado com infarto umas 3 ou 4 vezes ao ver maltratarem a bola. Quando pôs o pé na sala, estava mais expectativo do que noiva quando está prestes a levar uma rola na pomba.
- Leia logo! Berrou, tentando arrancar o envelope das minhas mãos.
- Calminha aí, tio. Não se pressa um banquete à luz de velas. Sou um gourmet das delícias do Machado.
- Você é foda, sobrinho. Não sei onde meu irmão estava com a cabeça quando fez você. Aliás, uma delas eu tenho certeza de onde estava.
- Uau! Saca só. “Dalton, não dá pra tapar o sol do sofrimento com a peneira da felicidade. Extraí esta frase do livro de Tao, especialmente para você e sua matéria. Com carinho. Assinado Machado de Assis.”
- Não entendi nada. O Torcedor falou e me olhou como se não me visse.
- Tio, o que o Machado quis transmitir é mais ou menos o que aconteceu com o Flamengo na quarta-feira no mesmo Maracanã onde foi campeão no domingo vencendo o Botafogo por 2x1. Veja só, tio, depois de ganhar de 4x2 do América, lá no México levou uma traulitrada de 3x0 e saiu pela porta dos fundos da Libertadores. Entendeu?
O meu tio Torcedor saiu sem responder e ainda bateu a porta bem na minha fuça. Fico a pensar com meus botões de futebol de mesa: o Machado está certo, certíssimo! Sirvo-me de uma taça de licor de ovos e de uma broinha de fubá mimoso e abro meus e-mails tentando encontrar algum recado do Maringas. Que bom!, era o primeiro da caixa de mensagens. Quase me afogando com um naco da broinha, dou duas belas talagadas pra me aliviar. Abro a mensagem e custo a acreditar no que vejo. Uma foto do próprio na fila de ingressos para o jogo com o Palmeiras. Nela, o Maringas está ao centro, próximo à porta da barraca com uma faixa de campeão no peito, uma garrafa de Jack Daniels à mão esquerda e com a outra jogando confetes e serpentinas. Colado na barraca, um cartaz em letras garrafais: “ESTAMOS FESTEJANDO HÁ 4 DIAS SEM ACIDENTES. NOSSO RECORDE É DE 28 DIAS EM 1985.” Mas isso não tem importância. O que eu não posso deixar de comentar é o fato de ter encontrado o Trevisan, o nosso doce vampiro, na Livraria do Chain, na segunda-feira passada , no finzinho da tarde. Depois de me contar alguns detalhes de seu próximo livro, ele me perguntou:
- Dalton, lembra daquela noite em Copacabana,
estávamos eu, você, Nelson Rodrigues e seu mano Mário Filho
discutindo sobre a tragédia da final da Copa de 50?
- Claro, Trevisan, como é que eu poderia esquecer uma noitada daquelas?
- Eu seu, eu sei. Mas escute. O Nelson tinha acabado
- Claro, Trevisan, como é que eu poderia esquecer uma noitada daquelas?
- Eu seu, eu sei. Mas escute. O Nelson tinha acabado
de escrever A MENINA SEM ESTRELA e...
- Lembro até do que ele disse sobre o livro
- Lembro até do que ele disse sobre o livro
“é minha beleza mais triste”.
- Sabia que você ia lembrar! Saiu correndo feito um garoto que está atrasado para o primeiro encontro com a menina de seus olhos. Me despedi do Chain e fui a pé para casa. Ao me aproximar da UFPR, ali na esquina da Riachuelo com a XV dou de encontrão
- Sabia que você ia lembrar! Saiu correndo feito um garoto que está atrasado para o primeiro encontro com a menina de seus olhos. Me despedi do Chain e fui a pé para casa. Ao me aproximar da UFPR, ali na esquina da Riachuelo com a XV dou de encontrão
com o poeta Roberto Prado.
- Desculpe...Robertoooo!!!
- Ops, putz que coisa, hein!?
- Eu estava precisando mesmo falar com você. Vai ao jogo domingo?
- Não não vou, é você que vai!
- Infelizmente não posso, mas como você vai quero que me conte tudo
em detalhes depois. Pode ser?
- Claro. Me ligue. Mas agora me dê licença, que eu preciso ir até o Chain ver se chegou a nova edição do Inspetor Geral, uma adaptação que eu fiz da peça do Gogol para romance.
- Eu já li. E parabéns, viu, ficou uma obra-prima.
- Claro. Me ligue. Mas agora me dê licença, que eu preciso ir até o Chain ver se chegou a nova edição do Inspetor Geral, uma adaptação que eu fiz da peça do Gogol para romance.
- Eu já li. E parabéns, viu, ficou uma obra-prima.
Nem sei se o Roberto chegou a ouvir o elogio, pois quando dei por mim, ele já estava a uns 10 metros adiante. Me encolhi dentro do meu sobretudo, olhei para o céu e deixei-me levar pelo prazer que o ar de Curitiba me provoca. Adoro esta cidade e essa gente. Sem pressa, ainda tenho tempo de pensar enquanto caminhava:
- Poupem a mim, pois a continuar assim eu não paro nunca mais.
Dalton Machado Rodrigues


Nenhum comentário:
Postar um comentário