QUEM PERDE OU GANHA UM JOGO É A ALMA.
O campeonato paranaense é uma calamidade pública mas vai que é um upa. O Coritiba, operado na quarta-feira, pelo juiz sem juízo (as expulsões , para mim, foram uma piada de mau gosto), chegou ao clássico de domingo jogando caxeta, palito, truco, menos futebol. Empatou na quarta e perdeu domingo. Ninguém jogou porra nenhuma. O Ariel não mora mais aqui, tem algo incomodando o gringo. O Enrico fez sua partida mais pobrinha desde que chegou. O Rafinha escondeu-se. O Dirceu estava com saudades de Marília. E o Edson Bastos, assim mesmo, quase bastou para arrancar o empate. E você, também, Nei…francamente!
O Paraná não podia perder, por isso ganhou. Jogou com raça, determinação e amor à camisa. Alegria dos poetas Batista e Ernani Buchmann, tristeza do meu amigo Maringas, que perdeu na aposta uma figurinha carimbada da sua coleção de Bala Zequinha.
O Atlético ganhou na quinta e empatou no domingo, no pior jogo que já vi pela televisão. Uma lástima. Um público de chorar. A renda não pagou nem o alpiste e o milho-alvo dos quero-queros que moram no estádio. Bom para o Atlético que diminuiu a distância para o coxa, que agora é de apenas 4 pontos.
Mas isso não tem importância.
TEM UM POÇO DE SABEDORIA NO MEIO DO CAMINHO.
O que eu queria mesmo lhes dizer é que a palavra se doa, se dá, gratuitamente, como um poço que, quanto mais doa, mais água e de melhor qualidade tem para oferecer. A palavra é assim também, enquanto alguns morrem de sede; outros vivem dela, com pródiga abundância. Por mim, meus generosíssimos leitores, as palavras continuam assim, esplêndidos universos a serem explorados pelas mentes de boa vontade que estão ou estarão entre nós. Com as palavras nasceram religiões, filosofias, romances, peças teatrais, poemas, mundos e mais mundos, mas, principalmente, nós mesmos, os filhos da saudade da vida por si mesma. Nós, que nos sussurros amorosos de nossos pais, fomos gerados à imagem e semelhança. Nós que, através dessa troca de palavras ardentes de paixão, ganhamos alma, consciência e uma vida novinha em folha. Na verdade, meus abnegadíssimos leitores, nós e as palavras fomos feitos uns para os outros. É um caso de amor antigo, muito antigo. E como em todo caso de amor se salvam todos felizes entre mortos e feridos. Mas lembrem-se: nem tudo que reluz é aura, o ouro da manhã é aurora. E na aurora…
Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüínea e fresca a madrugada…
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E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…
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Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
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No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais… (*)
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Poupem-me, porque esse velho poço, por hoje,
já saciou sua sede.
Dalton Machado Rodrigues
daltonmrodrigues@gmail.com
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